A Portugal Telecom obteve um resultado líquido de 174,4 milhões de euros (ME), uma redução de 5,5% no primeiro trimestre deste ano, face ao mesmo período do ano anterior. Estes resultados superam as expectativas dos analistas que apontavam, em média, para uma descida de 26%. Os números apresentados são justificados pelos custos com redução de pessoal, que aumentaram cerca de dois milhões de euros para os 15 milhões de euros nos primeiros três meses do ano.
Os proveitos operacionais da Portugal Telecom subiram 1,1% para 1.475,9 ME. Excluindo o impacto da alteração do método de consolidação do negócio media, o qual passou a ser consolidado pelo método de equivalência patrimonial em detrimento da consolidação integral, os proveitos operacionais teriam aumento 3,4% no primeiro trimestre de 2005 face a igual período de 2004.
As receitas de retalho em Portugal (rede fixa, TV por subscrição e banda larga) aumentaram 2,7%, face ao primeiro trimestre de 2004, para 464 ME no primeiro trimestre de 2005, reflectindo o crescimento das receitas de TV por subscrição e de banda larga que mais do que compensou a redução das receitas de tráfego na rede fixa, as quais foram influenciadas negativamente pelos decréscimos do volume de tráfego e dos preços de interligação.
Em termos de receitas por lar, conceito que agrupa as receitas de cabo e rede fixa divididas por cliente, a subida foi de 2,7%.
O EBITDA (resultado antes de impostos, juros, amortizações, depreciações) subiu 4,4%, para 613,1 ME enquanto a margem EBITDA (indicador que afere a rentabilidade do negócio) subiu 1,3 pontos percentuais para 41,5%.
O Capex (investimento de capital) consolidado registou uma subida de 91,9% para 167,9 milhões de euros em resultado do aumento dos investimentos efectuados na banda larga em Portugal e da expansão da rede e cobertura de CDMA na Vivo no Brasil, o que permitirá à operadora ter uma aproximação à tecnologia UMTS.
No final do trimestre, a dívida líquida era de 3,6 mil milhões de euros, mais 258 ME que no período homólogo, em resultado da contribuição extraordinária de 300 milhões de euros para um novo fundo para cuidados de saúde (gerido pela recém criada PT Prestações) e a contribuição regular de 100 milhões de euros para o fundo de pensões. Ajustando pelo impacto das "equity swaps" sobre acções da PT equivalentes a 3% do capital, contratados no âmbito do programa de recompra de acções de 10% do capital social anunciado em 2003, a dívida líquida teria ascendido a 3,94 mil milhões de euros.
Na rede fixa, o negócio de Internet ADSL permitiu um melhor desempenho da rede fixa, tendo as receitas subido para 33 ME, face aos 18 ME do período homólogo.
Entretanto, no negócio móvel, as receitas aumentaram 0,5% para 374,3 ME, penalizadas pela descida das tarifas de interligação móvel-móvel em Março. Sem este impacto, os proveitos operacionais teriam aumentado 2,8%. O número de clientes aumentou para 5.087 mil, um aumento de 3,3% face a igual período do ano anterior.
Do lado de lá do Atlântico, a Vivo registou uma subida de 3% para os 2,77 mil milhões de euros nos proveitos operacionais. Contudo, o EBITDA do negócio reduziu-se 3,2%, reflectindo a subida dos custos de aquisição e retenção de clientes, em resultado do aumento da concorrência.
Importa referir que os resultados apresentados pela Portugal Telecom e pela PT Multimedia foram preparados de acordo com os International Financial Reporting Standards («IFRS» ou International Accounting Standards - «IAS»), novas políticas contabilísticas que deverão ser adoptadas a partir deste ano por todas as empresas Europeias cotadas.
PTM lucra 22,4 Milhões de Euros
A PT Multimedia obteve um resultado líquido de 22,4 ME no primeiro trimestre de 2005, um valor que corresponde a um aumento de 22,8% face ao mesmo período de 2004. Os proveitos, já sem o contributo do negócio de Media, cresceram 8,7%.