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"Vivemos hoje tempos extraordinários e nunca os nossos mundos foram tão comunicantes" |
No dia 29 de Outubro, realizou-se a 6ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, em São Paulo. Um prémio “aberto a todos os autores de língua portuguesa e um dos mais importantes símbolos da nossa visão dessa ‘terra do amanhã’, a projecção do nosso futuro conjunto, como pessoas, empresas e países”, segundo Zeinal Bava, que esteve presente na cerimónia de entrega dos prémios aos vencedores.
A par do Prémio Jabuti, o Prémio PT é reconhecido pela comunidade literária como um dos mais importantes prémios no Brasil e é concedido aos três melhores livros originalmente escritos em língua portuguesa (romance, conto, poesia, crónica, dramaturgia, biografia ou autobiografia).
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Beatriz Bracher e Cristovão Tezza, 2º e 1º lugares do Prémio PT de Literatura Portuguesa 2008 |
O vencedor deste importante prémio em 2008 foi o escritor catarinense Cristovão Tezza, com o livro “O filho eterno”. O segundo lugar foi preenchido por António Lobo Antunes com “Eu hei-de amar uma pedra” e Beatriz Barcher com a obra “Antonio” e o terceiro lugar da lista foi atribuído a Bernardo Carvalho, com “O sol se põe em São Paulo”.
“É o livro mais marcante da minha vida, um livro que mostra maturidade e foi, sem dúvida, a obra mais difícil que eu já produzi”, referiu Cristovão Tezza no momento da comemoração como vencedor do prémio de Literatura da Portugal Telecom.
A cerimónia foi apresentada pelo jornalista Edney Silvestre e contou com a participação especial de Fernanda Montenegro, a conhecida actriz brasileira, que interpretou textos ficcionais e poesias, de autores portugueses e brasileiros como Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade, perante os cerca de 500 convidados reunidos na Casa Fasano, em São Paulo.
Shakaf Wine, presidente da PT Brasil, agradeceu a integridade e seriedade de todos os que trabalham na concretização do prémio e reforçou que, para competir em igualdade no mercado, os países que adoptam a língua portuguesa necessitam de se tornar países de leitores. O Ministro da Cultura de Portugal, José António Ribeiro, que também marcou presença no evento, elevou o trabalho dos escritores e concluiu que a leitura é responsável por “nos transportar no tempo e no espaço”.
Fotos - Fotógrafa: Luciana Prezia/ Assistente: Paula Zorzi
Neste momento de celebração de cultura da literatura expressa na língua portuguesa, o CEO da PT sublinhou que “vivemos hoje tempos extraordinários e nunca os nossos mundos foram tão comunicantes.” Existem no mundo 250 milhões de pessoas que falam português, que aprendem, originalmente, em português e que enriquecem o património global com conteúdos produzidos em português. O Prémio Literário é “um testemunho do compromisso da Portugal Telecom para com a cultura e língua portuguesas, condecorando o mérito e inovação”.
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Zeinal Bava, José Antonio Pinto Ribeiro e Shakhaf Wine |
Durante a sua intervenção, Zeinal Bava voltou a reforçar a aposta da PT na educação. “Como preparamos então as nossas mentes, a dos nossos filhos e netos para estes tempos que vivemos? Só conheço uma resposta: a aposta na educação. É aqui que tudo começa, é daqui que tudo nasce. (…) O saber ocupa lugar, sim. Um lugar cada vez mais importante e central no nosso desenvolvimento como seres humanos e como sociedades. Nesta conquista do saber, a generalização das tecnologias da informação, com a adopção crescente de equipamentos de comunicação e a emergência de novos hábitos de consumo de media, com destaque para a Internet no segmento mais jovem, constituem pilares do nosso novo mundo.”
A PT fez os maiores investimentos alguma vez realizados por uma empresa portuguesa no estrangeiro e “actua em compromisso com os interesses da nossa língua e legado cultural. É esse o espírito que nos move na exportação de conhecimento e na promoção de infra-estruturas e ferramentas de educação”, salientou o responsável da PT.
A Portugal Telecom assume-se, assim, como uma “empresa de ideias e queremos agregar, promover e estar junto de pessoas de e com ideias. Como é que vamos fazer? Com talento, tolerância e tecnologia.”
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Alguns finalistas do Prémio PT de Literatura Portuguesa 2008 |
Os dez finalistas do Prémios PT de Literatura Portuguesa 2008
Os vencedores do Prémio PT de Literatura em Língua Portuguesa 2008
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Cristóvão Tezza 'O Filho Eterno' Editora: Record |
1º lugar
Cristovão Tezza nasceu em Santa Catarina, em 1952, mas vive em Curitiba. Sempre associou o acto de escrever a uma forma de dar sentido à realidade. A sua trajectória literária começou muito cedo, quando ainda era adolescente, mas foi-lhe fundamental uma visão mais distanciada do país, quando viveu em Portugal logo após a Revolução dos Cravos. Ficcionista e professor universitário no Paraná, já publicou 13 títulos ('Trapo', 'O fantasma da infância', 'Aventuras provisórias', 'Breve espaço entre cor e sombra' e 'O fotógrafo', entre outros). O romance 'O filho eterno', onde a matéria biográfica é superiormente apreendida pelo ficcional, já foi traduzido para italiano e estão previstas as edições portuguesa, francesa e espanhola.
A história começa na sala de espera, entre um cigarro e outro, quando o protagonista está prestes a ter o seu primeiro filho. Enquanto ainda está a adaptar-se à novidade, descobre que será pai de uma criança com síndrome de Down. O autor expõe nessa obra as dificuldades e vitórias de criar um filho com síndrome de Down.
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Beatriz Bracher 'António' Editora: Editora 34 |
2º lugar
Neste terceiro romance de Beatriz Bracher, Benjamim, o protagonista, na iminência de ser pai, descobre um segredo familiar e decide saber como tudo aconteceu. A avó, Isabel; Haroldo, amigo do seu avô; e Raul, amigo do seu pai contarão as suas versões dos factos. Cada capítulo do livro dá voz a um dos três narradores-personagens.
Beatriz Bracher nasceu em São Paulo, em 1961. Formada em Letras, foi uma das fundadoras da revista 34 Letras e, posteriormente, da Editora 34, onde trabalhou de 1992 a 2000. Publicou os romances 'Azul e dura' (7 Letras, 2002) e 'Não falei' (Editora 34, 2004). Em 1994 escreveu com Sérgio Bianchi o argumento do filme 'Cronicamente inviável' e, mais recentemente, com o mesmo director, o roteiro de um longa-metragem inédito, ainda sem título.
2º lugar
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Antonio Lobo Antunes 'Eu hei-de amar uma pedra' Editora: Alfaguara/Objetiva |
Eu hei-de amar uma pedra, 17º romance de António Lobo Antunes, é um exemplo extraordinário do seu modo de narrar, a partir de um verso de canto alentejano. A história lá está legível – um homem idoso entretempos: um baú de fotos da cena familiar e o reencontro da mulher amada –, mas é através da arca omnipresente e de um rio Tejo, que corre simultaneamente na Guiné. O autor levanta a pedra do passado e convida o leitor para uma viagem ao imaginário cultural português.
António Lobo Antunes nasceu em 1942, em Lisboa. Formado em medicina, com especialização em psiquiatria, serviu como tenente e médico do Exército português em Angola, nos últimos anos da guerra naquele país, entre 1970 e 1973. A vivência da guerra marcou profundamente os seus três primeiros livros, 'Memória de elefante', 'Os cus de Judas' e 'Conhecimento do inferno'. Autor de uma obra vasta e premiada, de repercussão mundial, Lobo Antunes tem ainda entre os seus romances de sucesso 'Boa tarde às coisas aqui em baixo', 'O manual dos inquisidores', 'Tratado das paixões da alma' e 'Exortação aos crocodilos' (vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1999). Em 2007, recebeu o Prémio Camões de Literatura, com 'Eu hei de amar uma pedra', o maior reconhecimento dado a um autor de língua portuguesa vivo.
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Bernardo Carvalho 'O sol se põe em São Paulo' Editora: Companhia das Letras |
3º lugar
No Japão, durante a Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi - uma moça de boa família, um filho de industrial e um actor de kyogen, o teatro cómico japonês. À primeira vista, isto é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de 'O sol se põe em São Paulo', o novo romance de Bernardo Carvalho. Mas rapidamente a trama se complica pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, humilhação e ressentimento amorosos, e relaciona-se aos momentos mais terríveis da História contemporânea - tanto do Japão como do Brasil. O romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria separados.
Bernardo Carvalho, nascido em 1960 no Rio de Janeiro, é escritor e jornalista. Foi editor do suplemento de ensaios 'Folhetim' e correspondente, em Paris e em Nova York, da 'Folha de S.Paulo' (jornal em que escreve uma coluna semanal sobre literatura). O seu primeiro livro foi a colectânea de contos 'Aberração de 1993'. Venceu, com o romance 'Mongólia', o prémio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte, edição 2003) e com o romance 'Nove Noites' o Prémio Portugal Telecom 2003.
Saiba mais sobre sobre o Prémio PT Literatura Portuguesa em www.premioportugaltelecom.com.br