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E o grande vencedor do Prémio PT de Literatura é…
quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
Cristovão Tezza, com o livro “O filho eterno”, foi o vencedor de um dos prémios literários mais importantes no Brasil em termos de reconhecimento junto da comunidade literária: o Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa. António Lobo Antunes ficou em segundo lugar, juntamente com Beatriz Bracher, e em terceiro Bernardo Carvalho. Zeinal Bava participou na cerimónia de entrega de prémios e salientou a importância desta iniciativa

 

"Vivemos hoje tempos extraordinários
e nunca os nossos mundos
foram tão comunicantes"

No dia 29 de Outubro, realizou-se a 6ª edição do Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa, em São Paulo. Um prémio “aberto a todos os autores de língua portuguesa e um dos mais importantes símbolos da nossa visão dessa ‘terra do amanhã’, a projecção do nosso futuro conjunto, como pessoas, empresas e países”, segundo Zeinal Bava, que esteve presente na cerimónia de entrega dos prémios aos vencedores.

A par do Prémio Jabuti, o Prémio PT é reconhecido pela comunidade literária como um dos mais importantes prémios no Brasil e é concedido aos três melhores livros originalmente escritos em língua portuguesa (romance, conto, poesia, crónica, dramaturgia, biografia ou autobiografia).

Beatriz Bracher e Cristovão Tezza, 2º
e 1º lugares do Prémio PT de Literatura
Portuguesa 2008

O vencedor deste importante prémio em 2008 foi o escritor catarinense Cristovão Tezza, com o livro “O filho eterno”. O segundo lugar foi preenchido por António Lobo Antunes com “Eu hei-de amar uma pedra” e Beatriz Barcher com a obra “Antonio” e o terceiro lugar da lista foi atribuído a Bernardo Carvalho, com “O sol se põe em São Paulo”.

“É o livro mais marcante da minha vida, um livro que mostra maturidade e foi, sem dúvida, a obra mais difícil que eu já produzi”, referiu Cristovão Tezza no momento da comemoração como vencedor do prémio de Literatura da Portugal Telecom.

A cerimónia foi apresentada pelo jornalista Edney Silvestre e contou com a participação especial de Fernanda Montenegro, a conhecida actriz brasileira, que interpretou textos ficcionais e poesias, de autores portugueses e brasileiros como Fernando Pessoa e Carlos Drummond de Andrade, perante os cerca de 500 convidados reunidos na Casa Fasano, em São Paulo.

Shakaf Wine, presidente da PT Brasil, agradeceu a integridade e seriedade de todos os que trabalham na concretização do prémio e reforçou que, para competir em igualdade no mercado, os países que adoptam a língua portuguesa necessitam de se tornar países de leitores. O Ministro da Cultura de Portugal, José António Ribeiro, que também marcou presença no evento, elevou o trabalho dos escritores e concluiu que a leitura é responsável por “nos transportar no tempo e no espaço”.

   

Fotos - Fotógrafa: Luciana Prezia/ Assistente: Paula Zorzi

Neste momento de celebração de cultura da literatura expressa na língua portuguesa, o CEO da PT sublinhou que “vivemos hoje tempos extraordinários e nunca os nossos mundos foram tão comunicantes.” Existem no mundo 250 milhões de pessoas que falam português, que aprendem, originalmente, em português e que enriquecem o património global com conteúdos produzidos em português. O Prémio Literário é “um testemunho do compromisso da Portugal Telecom para com a cultura e língua portuguesas, condecorando o mérito e inovação”.

Zeinal Bava, José Antonio Pinto
Ribeiro e Shakhaf Wine

Durante a sua intervenção, Zeinal Bava voltou a reforçar a aposta da PT na educação. “Como preparamos então as nossas mentes, a dos nossos filhos e netos para estes tempos que vivemos? Só conheço uma resposta: a aposta na educação. É aqui que tudo começa, é daqui que tudo nasce. (…) O saber ocupa lugar, sim. Um lugar cada vez mais importante e central no nosso desenvolvimento como seres humanos e como sociedades. Nesta conquista do saber, a generalização das tecnologias da informação, com a adopção crescente de equipamentos de comunicação e a emergência de novos hábitos de consumo de media, com destaque para a Internet no segmento mais jovem, constituem pilares do nosso novo mundo.”

A PT fez os maiores investimentos alguma vez realizados por uma empresa portuguesa no estrangeiro e “actua em compromisso com os interesses da nossa língua e legado cultural. É esse o espírito que nos move na exportação de conhecimento e na promoção de infra-estruturas e ferramentas de educação”, salientou o responsável da PT.

A Portugal Telecom assume-se, assim, como uma “empresa de ideias e queremos agregar, promover e estar junto de pessoas de e com ideias. Como é que vamos fazer? Com talento, tolerância e tecnologia.”

Alguns finalistas do Prémio PT de Literatura Portuguesa 2008

Os dez finalistas do Prémios PT de Literatura Portuguesa 2008

Os vencedores do Prémio PT de Literatura em Língua Portuguesa 2008

Cristóvão Tezza
'O Filho Eterno'
Editora: Record

1º lugar

Cristovão Tezza nasceu em Santa Catarina, em 1952, mas vive em Curitiba. Sempre associou o acto de escrever a uma forma de dar sentido à realidade. A sua trajectória literária começou muito cedo, quando ainda era adolescente, mas foi-lhe fundamental uma visão mais distanciada do país, quando viveu em Portugal logo após a Revolução dos Cravos. Ficcionista e professor universitário no Paraná, já publicou 13 títulos ('Trapo', 'O fantasma da infância', 'Aventuras provisórias', 'Breve espaço entre cor e sombra' e 'O fotógrafo', entre outros). O romance 'O filho eterno', onde a matéria biográfica é superiormente apreendida pelo ficcional, já foi traduzido para italiano e estão previstas as edições portuguesa, francesa e espanhola.

A história começa na sala de espera, entre um cigarro e outro, quando o protagonista está prestes a ter o seu primeiro filho. Enquanto ainda está a adaptar-se à novidade, descobre que será pai de uma criança com síndrome de Down. O autor expõe nessa obra as dificuldades e vitórias de criar um filho com síndrome de Down.

Beatriz Bracher
'António'
Editora: Editora 34

2º lugar

Neste terceiro romance de Beatriz Bracher, Benjamim, o protagonista, na iminência de ser pai, descobre um segredo familiar e decide saber como tudo aconteceu. A avó, Isabel; Haroldo, amigo do seu avô; e Raul, amigo do seu pai contarão as suas versões dos factos. Cada capítulo do livro dá voz a um dos três narradores-personagens.

Beatriz Bracher nasceu em São Paulo, em 1961. Formada em Letras, foi uma das fundadoras da revista 34 Letras e, posteriormente, da Editora 34, onde trabalhou de 1992 a 2000. Publicou os romances 'Azul e dura' (7 Letras, 2002) e 'Não falei' (Editora 34, 2004). Em 1994 escreveu com Sérgio Bianchi o argumento do filme 'Cronicamente inviável' e, mais recentemente, com o mesmo director, o roteiro de um longa-metragem inédito, ainda sem título.

2º lugar

Antonio Lobo Antunes
'Eu hei-de amar uma pedra'
Editora: Alfaguara/Objetiva

Eu hei-de amar uma pedra, 17º romance de António Lobo Antunes, é um exemplo extraordinário do seu modo de narrar, a partir de um verso de canto alentejano. A história lá está legível – um homem idoso entretempos: um baú de fotos da cena familiar e o reencontro da mulher amada –, mas é através da arca omnipresente e de um rio Tejo, que corre simultaneamente na Guiné. O autor levanta a pedra do passado e convida o leitor para uma viagem ao imaginário cultural português.

António Lobo Antunes nasceu em 1942, em Lisboa. Formado em medicina, com especialização em psiquiatria, serviu como tenente e médico do Exército português em Angola, nos últimos anos da guerra naquele país, entre 1970 e 1973. A vivência da guerra marcou profundamente os seus três primeiros livros, 'Memória de elefante', 'Os cus de Judas' e 'Conhecimento do inferno'. Autor de uma obra vasta e premiada, de repercussão mundial, Lobo Antunes tem ainda entre os seus romances de sucesso 'Boa tarde às coisas aqui em baixo', 'O manual dos inquisidores', 'Tratado das paixões da alma' e 'Exortação aos crocodilos' (vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1999). Em 2007, recebeu o Prémio Camões de Literatura, com 'Eu hei de amar uma pedra', o maior reconhecimento dado a um autor de língua portuguesa vivo.

Bernardo Carvalho
'O sol se põe em São Paulo'
Editora: Companhia das Letras

3º lugar

No Japão, durante a Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi - uma moça de boa família, um filho de industrial e um actor de kyogen, o teatro cómico japonês. À primeira vista, isto é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de 'O sol se põe em São Paulo', o novo romance de Bernardo Carvalho. Mas rapidamente a trama se complica pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, humilhação e ressentimento amorosos, e relaciona-se aos momentos mais terríveis da História contemporânea - tanto do Japão como do Brasil. O romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria separados.

Bernardo Carvalho, nascido em 1960 no Rio de Janeiro, é escritor e jornalista. Foi editor do suplemento de ensaios 'Folhetim' e correspondente, em Paris e em Nova York, da 'Folha de S.Paulo' (jornal em que escreve uma coluna semanal sobre literatura). O seu primeiro livro foi a colectânea de contos 'Aberração de 1993'. Venceu, com o romance 'Mongólia', o prémio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte, edição 2003) e com o romance 'Nove Noites' o Prémio Portugal Telecom 2003.

Saiba mais sobre sobre o Prémio PT Literatura Portuguesa em www.premioportugaltelecom.com.br

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