A oferta da Telefónica de 7,15 mil milhões de euros para a aquisição da participação da PT na Vivo foi rejeitada na assembleia-geral extraordinária, após o Estado ter vetado a venda da participação, como resultado da golden share que possui na PT.
Contudo, 73,91% dos accionistas votaram a favor da oferta e 26,09% contra. Após o anúncio dos resultados, a Telefónica manifestou o seu desacordo relativamente ao exercício de direito de veto por parte do Estado, anunciando que admite recorrer da decisão.
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Henrique Granadeiro e Zeinal Bava referiram que o Conselho não tomou uma posição em relação à oferta da Telefónica de 7,15 mil milhões de euros |
Em relação à última oferta da Telefónica, tanto Henrique Granadeiro como Zeinal Bava frisaram que o Conselho de Administração não tomaram uma decisão em relação à mesma.
Em relação ao uso da golden share, Henrique Granadeiro diz lidar com factos. É, portanto, dentro deste quadro de factos criados pelas autoridades competentes que o Conselho de Administração e Henrique Granadeiro se irão conduzir. Zeinal Bava acrescenta: "Há uma decisão do presidente da mesa da assembleia-geral que prevalece em relação àquilo que o Conselho da Administração acha”. "Vamos começar hoje mesmo a desenvolver o negócio tal como temos vindo a fazer", diz o chairman da PT, no que diz respeito à relação futura com a Telefónica.
Face à proposta apresentada ontem às 23 horas à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) por parte da Telefónica que subiu a oferta para 7,15 milhões de euros, o Conselho de Administração não tomou nenhuma posição. Henrique Granadeiro, presidente do Conselho de Administração da PT, e Zeinal Bava, presidente executivo da PT, salientaram respeitar a deliberação da mesa da assembleia-geral relativa ao uso da golden share detida pelo Estado na PT.
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A oferta da Telefónica foi rejeitada contudo 73,91% dos accionistas votaram a favor da proposta |
Na assembleia-geral estiveram presentes 76 accionistas e 844 accionistas representados, o que significa que foi alcançada uma representação de 68%. Foram admitidas a voto acções representativas de 62,9% de capital social.
Antes da votação, Menezes Cordeiro, presidente da mesa da assembleia-geral, salientou que interpretada a lei nestes casos, a Telefónica não deveria votar. Permitir o voto representaria uma perturbação de mercado e uma quebra de confiança. Recorde-se que face à alienação de 8% da participação da Telefónica na PT, a CMVM deliberou que as empresas que chegaram a acordo com a Telefónica não deveriam deter direito de voto. Assim como a CMVM também a mesa da assembleia-geral tomou a mesma decisão. “É a decisão que impõe a lei”, referiu Menezes Cordeiro.
“Olhamos com orgulho para a parceria”
Nos momentos anteriores à votação, Henrique Granadeiro aludiu à estreita relação entre a Telefónica e a PT, que remonta à constituição da Brasilcel, que controla 50% da Vivo, a maior operadora móvel da América Latina. De acordo com o chairman da PT, esta relação é um caso exemplar de sucesso. Por isso, afirma: “Olhamos com orgulho para a parceria”. Uma parceria que acabaria por contribuir para que a Vivo seja hoje uma empresa líder, dinâmica, bem posicionada e que se tenha tornado numa marca de referência.
A importância desta operação internacional reflecte-se também no peso que alcançou nas receitas da PT, referiu Henrique Granadeiro. De 37%, em 2006, passou para 46% em 2009 e para 50% no primeiro semestre do ano em curso.
Henrique Granadeiro explicou ainda o motivo subjacente à convocação da assembleia-geral extraordinária. Para o chairmam da PT, a venda da participação na Vivo representa uma alteração de identidade da empresa face ao projecto apresentado pelo Conselho de Administração da PT após a vitória da Oferta Pública de Aquisição lançada pela Sonaecom à PT. “É aos accionistas que compete a última e decisiva palavra”, concluiu Henrique Granadeiro.
Zeinal Bava recordou o roadshow realizado junto de mais de 100 investidores dos grandes centros financeiros para discutir a estratégia e a oferta. Salientou, ainda, que a Vivo é um dos projectos mais bem sucedidos ao nível das operadoras móveis.
A evolução da oferta
A 7 de Maio a Telefónica fazia uma oferta de 5,7 mil milhões de euros, que foi rejeitada pela PT três dias depois. Mas a 1 de Junho era apresentada uma proposta de compra da participação da PT na Brasilcel de 6,5 mil milhões de euros. No mesmo dia, embora considerasse que a oferta não reflectia o valor estratégico da Vivo, a PT deliberou a convocação de uma assembleia-geral para a avaliação da proposta da Telefónica. Apesar da disponibilidade demonstrada pela PT para conversações, essa disponibilidade nunca foi aproveitada pela Telefónica. Dia 29 de Junho, na véspera da realização da assembleia-geral, a Telefónica submeteu à CMVM, pelas 23 horas, uma nova oferta no valor de 7,15 mil milhões de euros.