Portugal Telecom cobre 100% do país com banda larga
sexta-feira, 28 de Outubro de 2005
As telecomunicações unem as pessoas de todos os continentes. Foi este facto que serviu de mote para a edição do FLEIT 2005, que decorre nos dias 27 e 28 de Outubro em Lisboa. Neste evento, Miguel Horta e Costa, Presidente Executivo do Grupo PT, anunciou em primeira-mão a cobertura de 100% do território nacional em termos de banda larga. Acompanhe no éPT! a actualização de toda a informação
A Importância das telecomunicações nos países e regiões onde estão presentes favorecendo clientes, colaboradores e sociedade em geral trouxe até Lisboa a terceira edição do Forum Luso-Espanhol de Inovação em Telecomunicações (FLEIT). Trata-se de uma iniciativa da Fundação Luso-Espanhola organizada em conjunto com a Telefónica e a Portugal Telecom e subordinada ao tema “A internacionalização das telecomunicações”.
A abrir os trabalhos Ernâni Rodrigues Lopes, na qualidade de presidente da Fundação Luso-Espanhola, apontou o tema como “um exemplo de viragem e recomposição de forças” no sector. Como sublinhou “as telecomunicações constituem o factor exógeno no sistema económico mundial da terceira globalização, que resulta da mobilidade integral da informação”. Dando o exemplo da PT e Telefónica, o presidente da Fundação Luso Espanhola referiu que “as empresas de telecomunicações que podiam dispor de uma base de partida, procuraram internacionalizar-se como resposta à nova situação dos mercados”. Para o futuro na economia mundial das telecomunicações, Ernâni Rodrigues Lopes considera que o processo de internacionalização “poderá vir a mostrar duas sequelas com incidências profundas na estrutura dos operadores”. Por um lado “o campo das operações no exterior da economia de origem deixar de ser encarado como uma extensão do campo originário”. Por outro lado e em consequência “a componente internacional deixar de ser um apêndice e tornar-se a matriz de referência em que o campo originário se torna em mais um componente, ainda que especialmente relevante”. Um rearranjo geral das posições dos actuais operadores, que irá implicar segundo Ernâni Rodrigues Lopes, “a formação de estruturas empresariais intra e supra nacionais de operadores, com a progressiva perca de relevância dos pequenos operadores locais sem dimensão internacional”.
Nova tecnologia da PT Inovação leva banda larga a zonas de menor densidade populacional Miguel Horta e Costa apresentou a Banda Larga como um pilar fundamental na construção da Sociedade da Informação e destacou a existência de quatro condições de base que é necessário assegurar com o objectivo de alcançar a generalização da banda larga. São elas: cobertura do território nacional; preços; info-educação e penetração de PCs, nas quais a Portugal Telecom assumiu uma participação activa. Um empenho que levou à queda definitiva do primeiro obstáculo. Foi esta ocasião que Miguel Horta e Costa, Presidente Executivo aproveitou para anunciar que a Portugal Telecom vai disponibilizar entre o final deste ano e o primeiro trimestre de 2006 a cobertura de 100% do território nacional em termos de banda larga, quebrando assim o primeiro obstáculo para a estabilização da banda larga no mercado nacional. Qualquer casa no território nacional, por mais remota que seja a sua localização, poderá ter acesso à Banda Larga. “Não vai existir uma única casa no país que não tenha uma janela aberta para o mundo. São mais de 10 milhões de pessoas, 26 mil e 900 localidades, 561 vilas e 141 cidades com acesso à banda larga. Somos o terceiro país Europeu, após a Holanda e a Bélgica, a conseguir atingir esta meta histórica, o que expressa bem o empenho e mobilização da Portugal Telecom em torno deste ambicioso projecto”, afirma Miguel Horta e Costa.
Para alcançar este objectivo foi determinante a tecnologia PicoDSLAM 8 desenvolvida pela PT Inovação e que vai permitir a cobertura de internet de banda larga nas zonas de menor densidade populacional. Um projecto importante não só para o país como também para a exportação. “Esta é uma rede de auto-estradas de banda larga ao nível do indivíduo vocacionada para cobrir via ADSL as zonas remotas e rurais”, afirmou. Este é um equipamento pioneiro a nível mundial, que coloca mais uma vez a Portugal Telecom na liderança da Inovação. Tal como aconteceu na década de sessenta com a automatização integral da rede telefónica, em que Portugal foi pioneiro a nível europeu, também agora, graças à capacidade de Inovação da Portugal Telecom, o país será um dos primeiros a nível europeu a disponibilizar a possibilidade de acesso à Banda Larga a 100% dos seus cidadãos. “O facto de andarmos constantemente no terreno, através de iniciativas como o recente PT Escolas, procurando entender e conhecer melhor o perfil e necessidades dos Portugueses levou-nos a reconhecer a necessidade de concretizarmos este projecto. Temos assim noção que, para além da dimensão comercial, este é um feito com uma importância e dimensão social ímpares”, acrescenta o Presidente Executivo. Ao longo da última década, a Portugal Telecom já investiu neste pilar de desenvolvimento da Sociedade da Informação mais de três mil milhões de euros. Depois de ultrapassado o desafio da cobertura de banda larga, Miguel Horta e Costa destacou outro desafio: colocar um PC em cada casa. “Devemos manter o esforço de tentar atingir os níveis de lares com computadores dos países europeus mais desenvolvidos”, afirma.
Telefónica: Acelerar para ser líder Acelerar para ser líder foi o lema escolhido pela Telefónica para esta apresentação. Luís Lada, Director Geral da Telefónica apresentou o tema da internacionalização como factor dinamizador do sector das telecomunicaçõpes. Essa importância é demonstrada com o facto de 45% das receitas terem origem fora do mercado de origem daquela operadora. Cerca de dois terços dos clientes da operadora já estão fora de Espanha. O processo de internacionalização foi de resto adaptado a cada mercado onde a Telefónica está presente como uma vantagem competitiva. “A dimensão alcançada nos últimos 15 anos tem sido um factor crítico para a nossa competitividade, possibilitando o investimento numa tecnologia capaz de permitir uma política de constante redução de preços. A dimensão internacional da Telefonica pode também ilustrar-se com a sua presença em várias bolsas mundias. Em Madrid, onde foi admitida há cerca de 80 anos, em Tóquio, Nova Iorque, Frankfurt, Lima, São Paulo, entre outras. Luís Lada destacou também o caso de cooperação entre a Portugal Telecom e a Telefónica no mercado Brasileiro, segundo o qual formam o líder indiscutível no mercado móvel naquele país com a marca Vivo. A aquisição da Cesky Telecom, operadora Checa é exemplo do processo de incorporação de operações com potencial de crescimento, bem como a aliança estratégica com a China Netcom que pretende tornar a Telefónica na ponte perfeita entre a China e o sector das telecomunicações na América Latina. Refira-se quem na América Latina, a Telefónica já investiu mais de 30 milhões de euros em infra-estrututras. No total, em 2004, a operadora espanhola aplicou 461 milhões de euros em investigação e desenvolvimento (I&D), realizando 23% do investimento em I&D de todo o sector TIC espanhol e 22% do investimento total do sector em inovação.
PT e Telefónica são exemplo do que Portugal e Espanha podem fazer em conjunto A economia portuguesa e espanhola são interdependentes em termos de investimento e exportações falando-se muitas vezes do mercado ibérico como um mercado natural o que, de acordo com Álvaro Alabarte, do executivo espanhol, “demonstra esta capacidade de integração”. Actualmente operam em Portugal cerca de 3000 empresas espanholas e operam no país vizinho mais de 300 empresas lusas. O mesmo responsável garante ainda que, “há um campo em que ambos podemos fazer mais e juntos que é o das triangulações em mercados terceiros como a Telefónica e a PT já o fazem no Brasil e norte de África”. Álvaro Alabarte deixa o desafio de uma nova aventura partilhada ao nível do sector do turismo. Recorda a título de exemplo que em 2004 registaram-se 5,5 milhões de visitantes espanhóis em Portugal e mais de dois milhões de visitantes portugueses em Espanha.
Telecomunicações são novo paradigma da economia do futuro Mário Lino, ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, apresenta as telecomunicações como o pressuposto para o novo paradigma da economia do futuro, destacando a importância que o executivo nacional atribui à aposta da inovação no desenvolvimento dos dois países e na qual Telefónica e Portugal Telecom têm um papel activo. “Estamos hoje a viver um momento histórico nas relações bilaterais entre Portugal e Espanha”, afirma. As telecomunicações vivem uma fase radicalmente nova da sua evolução com a banda larga a desempenhar um papel fundamental na democratização da Sociedade da Informação. Mário Lino destaca ainda o aparecimento de tecnologias disruptivas que surgem acompanhadas de novos modelos de negócio como é o caso da Banda Larga, do VoIP, do Wi-Max e da Casa do Futuro. De acordo com o Ministro, o novo paradigma é posicionar o cliente como objectivo central do negócio em vez da tecnologia de acesso.
PT II: Uma nova lógica para os processos de internacionalização O desafio da internacionalização para o Grupo Portugal Telecom e a perspectiva da economia numa lógica da I&D e do investimento foram apresentados pelo Presidente Executivo da PT Investimentis Internacionais e Administrador Executivo do Grupo Portugal Telecom, Carlos Vasconcellos Cruz. Na opinião deste responsável, uma organização não pode estar fundada apenas no país de origem nem pode ceder à tentação de exportar os modelos da casa mãe para outras geografias. “Isto é errado e corresponde à fase passada das empresas internacionais. As lógicas de competitividade deixaram de se dar pela dimensão mas sim por uma economia do conhecimento”, defende. Carlos Vasconcellos Cruz exemplifica esta teoria com o aparecimento da tecnologia VoIP segundo o qual “irá trazer inteligência e serviços prestados aos clientes”. Os mercados internacionais desempenham aqui um papel fulcral no desenvolvimento e recolha de experiências ao nível dos novos desenvolvimentos tecnológicos. O Presidente da PT II cita, a titulo de exemplo, a operação que o Grupo detém em Timor (Timor Telecom), onde já se sente a canibalização do negócio de telefonia tradicional pelo VoIP. A sede de origem é outro dos conceitos que, segundo Carlos Vasconcellos Cruz, está em vias de extinção para ser substituído por centros de competência dispersos por várias geografias. Um conceito que a Portugal Telecom já incorporou como é o caso das plataformas de pré-pago (Aveiro), Call centers (São Paulo), Triple Play (Cabo Verde) e Location Based Services (Pequim). Estes factores assumem particular relevância num momento em que grande parte dos negócios do Grupo PT no seu mercado base estão em fase de maturidade ou saturação. “Se queremos desenvolver vantagem competitiva, isso significa crescimento fora de portas. Isto confere à PT II uma função estratégica fundamental no potencial de crescimento futuro do Grupo”. Falando acerca dos próximos passos na estratégia de internacionalização, o Presidente Executivo da PT II destacou os mercados do Brasil, África e China como as principais geografias para apoiar a estratégia de crescimento do Grupo. Em termos de conclusão, Carlos Vasconcellos Cruz explica que a internacionalização tem sido uma peça chave da estratégia de criação de valor e afirmação da PT como principal grupo empresarial português. A demonstrá-lo estão o número de clientes, que passou de 6 milhões em 1988 para 37 milhões em 2004, bem como as receitas que passaram, de três mil milhões de euros em 1988 para seis mil milhões em 2004.
Internacionalização como fonte de crescimento para a Telefonica António Castillo, sub director geral de inovação da Telefonica, apresentou os factores de internacionalização para a América Latina. Entre eles destacam-se a atractiva dimensão (500 milhões de pessoas), o mercado espanhol maduro e o elevado potencial de crescimento, o idioma, a proximidade cultural e a capacidade tecnológica, que fizeram da Telefónica o maior investidor privado daquela região. Esta internacionalização permitiu à Telefónica adquirir o know how que se cristalizou numa cultura de grupo multinacional integrado. A aquisição das operadoras da BellSouth fortaleceu a liderança na América Latina e a nível mundial. No ranking das operadoras móveis, medido em termos de clientes, a Telefónica ocupa a quarta posição com 91 milhões de clientes. A Telefónica representa, em média, 1,8% do PIB nos principais países em que opera. Estes são elementos que, segundo António Castillo, demonstra que “a internacionalização é uma fonte de oportunidades para o Grupo Telefónica”.


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