Forum Brasil: Portugal Telecom reafirma empenho no mercado brasileiro
quinta-feira, 24 de Novembro de 2005
Lisboa recebeu no dia 24 de Novembro o Forum Brasil, evento onde foram debatidas as perspectivas para as relações luso-brasileiras. Miguel Horta e Costa recordou o percurso da Portugal Telecom naquele mercado e reiterou a sua importância para o crescimento do Grupo, e sublinhou a necessidade do quadro regulatório assegurar as condições necessárias a uma justa rentabilização do considerável esforço de investimento já realizado no Brasil
Decorreu no dia 24 de Novembro o Forum Brasil, no qual foram debatidas as perspectivas políticas e económicas para o mercado brasileiro bem como as relações entre Portugal e Brasil. Este Forum contou com a participação de Miguel Horta e Costa, Presidente Executivo da Portugal Telecom e Vice-Presidente da Fundação Luso-Brasileira. Referindo-se ao Brasil como um país irmão, o Presidente Executivo recordou que aquele é um mercado da maior relevância para muitas empresas e grupos económicos nacionais, entre os quais se conta a Portugal Telecom. Miguel Horta e Costa recordou os meses de Junho e Julho de 1998, em que, contra todas as expectativas, o Grupo PT iniciou a sua trajectória de sucesso no mercado brasileiro através da aquisição de uma participação na Celular CRT e na Telesp Celular. Importa realçar que a aquisição da participação na Telesp Celular consistiu no maior investimento internacional de sempre de uma empresa portuguesa. A caminhada rumo à liderança no mercado brasileiro teve início com o lançamento, em 1999, do Baby, um produto inovador, assente em tecnologia portuguesa que se tornou no produto com maior brand awareness no Brasil (superior inclusivamente à da Coca-Cola). Esta forte aposta na inovação foi complementada com o reforço do investimento no Brasil entre 1999 e 2001 em diversas frentes. Mais especificamente, o Grupo PT aumentou a participação na Telesp Celular para 41% (representando um investimento extra de cerca de 2,6 mil milhões de euros), entrou nos negócios de dados e multimédia e expandiu a sua actividade para os estados do Paraná e Santa Catarina através da aquisição, por 570 milhões de euros, da Global Telecom. Em 2002 dá-se a formalização da parceria histórica entre a PT e a Telefónica para o mercado móvel brasileiro, que resultou da junção dos operadores móveis detidos pela PT e pela Telefónica, e deu origem ao maior operador móvel da América do Sul. Esta joint venture expande-se em 2003, nomeadamente através da aquisição da TCO, assegurando assim uma operação que abrange 80% do PIB do Brasil. É também no ano de 2003 que é lançada a marca Vivo, uma marca de elevado sucesso e notoriedade no mercado brasileiro e que hoje é líder incontestada no Brasil com cerca de 29 milhões de clientes, o que corresponde a uma quota de mercado na ordem dos 35%. Os números demonstram a importância da Vivo para o Grupo PT: 75% do total de clientes do Grupo; 30% dos proveitos operacionais e cerca de 22% do EBITDA. Miguel Horta e Costa sublinhou que, apesar do intenso nível concorrencial “o Grupo PT tem para com o mercado brasileiro um compromisso de longo prazo”. O Presidente Executivo elogiou a capacidade e coragem política do actual governo do Brasil para “prosseguir de forma exemplar as políticas monetárias e fiscais mais ajustadas ao contexto brasileiro, que têm contribuído para um controlo crucial da inflação e da dívida pública”. Este esforço teve como resultado a criação de um ambiente de estabilidade económica sem precedentes, combinado com um crescimento económico real que atingiu 4,9% em 2004 e tem contribuído para um aumento claro do grau de confiança dos agentes económicos, tanto a nível internacional como a nível nacional.
Regulação deve assegurar condições necessárias à rentabilização do investimento No entanto, e para que o compromisso a prazo do Grupo PT para com o mercado brasileiro seja sustentável, eventualmente através do reforço dos investimentos do Grupo no Brasil, “consideramos fundamental que o quadro regulatório para o sector das telecomunicações móveis assegure as condições necessárias a uma justa rentabilização do considerável esforço de investimento já realizado no Brasil. Gostaria, no entanto, de realçar que não pretendemos que a revisão do quadro regulatório prejudique o salutar ambiente competitivo que se vive no mercado brasileiro. Em concreto, seria para nós muito importante que fossem asseguradas as condições para que possamos ter cobertura nacional. Sendo a Vivo o primeiro operador brasileiro, não parece aceitável que os seus quase 30 milhões de clientes sejam prejudicados pelo facto de a qualidade do serviço prestado nos estados do Norte em que a Vivo não está presente não ser a melhor, colocando o nosso operador em desvantagem face à concorrência”. Miguel Horta e Costa sublinhou que “a PT pretende, nas regiões em que não está presente, não ser prejudicada pelo facto de ter optado por uma tecnologia CDMA, a qual proporciona aos clientes uma maior gama de opções de serviços face à tecnologia GSM (por exemplo, maior velocidade na transmissão de dados), potenciando assim uma acrescida oferta de valor à sociedade brasileira hoje e no futuro”. Nas palavras do Presidente Executivo existem duas vias para a resolução desta questão. Por um lado, poder-se-á optar pelo upgrading tecnológico dos operadores instalados nas regiões acima referidas de forma a oferecer um serviço de roaming digital, idêntico ao já oferecido aos clientes GSM. Por outro lado, poder-se-á equacionar a realização de um leilão do espectro disponível para a operação CDMA nestas regiões. Em termos de universalização do serviço móvel no Brasil, Miguel Horta e Costa explicou que, com cerca de 80 milhões de utilizadores, o serviço móvel no Brasil é já, em certa medida, um serviço universal. No entanto, “acreditamos existir ainda potencial para uma penetração adicional nas classes sociais mais desfavorecidas através de um modelo de oferta inovador baseado em tarifas mais reduzidas, logo mais acessível. A viabilização deste modelo implicará, necessariamente, uma maior flexibilização dos impostos e contribuições que incidem sobre o serviço de telefonia móvel no Brasil”.
|