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NOTÍCIAS 9-Nov-2004 Revolução tecnológica: a banda larga como garantia do desenvolvimento. A importância da banda larga para o desenvolvimento dos países e das economias, os novos diplomas para o sector das Tecnologias de Informação e do Conhecimento, o combate à info-exclusão e a votação electrónica como elemento de reforço da democracia, estiveram em destaque no primeiro dia do Congresso das Comunicações da APDC.

O 14º Congresso das Comunicações da APDC arrancou no dia 9 de Novembro com a sessão de abertura presidida pelo Ministro de Estado e da Presidência, Nuno Morais Sarmento e com a presença de Pedro Duarte Neves, Presidente da ANACOM, Artur Santos Silva, Presidente do 14º Congresso das Comunicações e Norberto Fernandes Presidente da APDC.
Artur Santos Silva, referindo-se ao papel das TIC (Tecnologias de Informação e Conhecimento) no processo de desenvolvimento e dinamização da economia portuguesa, sublinhou a importância fulcral da formação contínua a nível das tecnologias de informação e comunicação no futuro de Portugal e na construção de uma Sociedade de informação e do Conhecimento.
Nuno Morais Sarmento, referiu que este congresso “decorre num momento de profunda mudança na estrutura das sociedades e economias contemporâneas”, gerada pelas comunicações electrónicas e seu desenvolvimento. Trata-se de uma mudança “profunda, que reflecte igualmente novas formas de interacção, novas formas de socialização num ambiente tecnológico de crescente complexidade”.
Prova disso é o facto de um em cada 10 utilizadores mundiais de Internet possuir um acesso à Internet em banda larga, “o que abre um mundo novo de possibilidades”.
O titular da pasta do Estado e da Presidência afirma alerta para o facto do progresso tecnológico verificado nos últimos anos dever ser encarado como um meio, que fomenta a criação de novas formas de interacção social e a criação de novas comunidades num espaço económico sem fronteiras. É neste ambiente que surge a Economia do Conhecimento, assente na rapidez da transmissão do conhecimento; na inovação; na pluralidade de perspectivas, de abordagens e de metodologias; em novas formas de trabalho e na criação de complexas redes de relações entre agentes económicos.
Morais Sarmento defende que a banda larga é um instrumento essencial e determinante no processo de crescimento económico de qualquer sociedade, incluindo a portuguesa, contribuindo para o aumento da produtividade e da competitividade, permitindo aos agentes económicos aproveitar oportunidades de mercado a nível nacional, regional e mundial e proporcionando a possibilidade de uma prestação mais eficaz de serviços.
“Uma banda larga acessível a todos é ainda essencial enquanto garante de um elevado nível de info-inclusão e coesão social e territorial”, acrescentou
Este responsável reconhece contudo que ainda há muito a fazer em Portugal ao nível da banda larga. Por isso “o próprio Estado pode e deve dar o exemplo, assumindo o compromisso claro, no sentido de criar as condições base que garantam a existência de um mercado nacional de comunicações electrónicas, concorrencial, inovador, plenamente desenvolvido”.
Referindo-se ao balanço de dois anos da Unidade de Missão para a Inovação e Conhecimento (UMIC), o ministro afirma que “é positivo e encorajador. Os resultados são animadores e incitam-nos a continuar, a fazer mais e melhor”. Acrescenta ainda que “é vital ir mais longe e recuperar o tempo perdido. É vital criar as condições de base que permitam que todos possam tirar partido da banda larga. Para isso é necessário um sinal claro do mercado, um sinal claro da regulação, um sinal claro da própria Administração Pública”.

Governo constrói 70 centros de inclusão digital e reformula compra de serviços de telecomunicações pela Administração Pública
Na sua intervenção, o Ministro de Estado e da Presidência, anunciou a construção de 70 Centros de Inclusão Digital, destinados a integrar jovens de populações desfavorecidas.
Anunciou ainda que, no decorrer do Conselho de Ministros que se irá realizar no dia 10 de Novembro em Bragança, o Governo irá aprovar um conjunto de diplomas relativos ao desenvolvimento da Sociedade do Conhecimento. Destaca-se o diploma que irá tornar obrigatória a realização de concursos e consultas ao mercado para a compra de serviços de comunicações na Administração Pública e uma Resolução do Conselho de Ministros que irá aprovar um Guia das Comunicações para a Administração Pública, no qual serão enunciados um conjunto de recomendações e boas práticas, para a racionalização de infra-estruturas de comunicações e para o objectivo de ligar toda a Administração Pública em banda larga.
Para Nuno Morais Sarmento este será um desafio ambicioso, mas determinante uma vez que se pretende “colocar Portugal entre os países da linha da frente na entrada na Sociedade do Conhecimento”.
 
Quando os frigoríficos forem às compras
Os trabalhos seguiram-se com a apresentação de Andy Mattes, CEO da Siemens Information and Communication Networks USA que aludiu à mudança registada no mercado das telecomunicações nos últimos 20 anos.
Segundo este responsável, se em 1984 a comunicação era simples, estando fixa a uma parede, a situação actual é bem distinta, afinal, os utilizadores lidam com uma variedade de equipamentos, interfaces, aplicações e redes operacionais. Toda esta parafernália obriga a uma mudança no negócio, o que implica a criação de novos serviços e de novos modelos de billing.
Andy Mattes perspectiva que o Internet Protocol e a banda larga serão os drivers desta mudança. “Toda a comunicação será feita sobre IP e a banda larga será um pré-requisito”, explica afirmando que também a interconectividade entre dispositivos será uma realidade. A comunicação entre o frigorífico e as lojas do bairro deixará de ser ficção, o que obrigará operadores e fornecedores a mudar a forma de abordar o mercado.
A entrada dos operadores em território desconhecido, ou seja, o do consumidor, é por isso inevitável. Para este responsável, a orientação do negócio para a satisfação das necessidades dos clientes é, cada vez mais, um imperativo e só será possível de atingir através da gestão da complexidade de redes, aplicações e equipamentos e da oferta de um serviço de simples utilização. Neste campo, Andy Mattes afirma que não existirá uma killer application mas sim uma espécie de cocktail de aplicações que irão de encontro às necessidades específicas de cada grupo de utilizadores.

 

Voto electrónico como método de redução da abstenção

A manhã encerrou com o painel “Cidadania – garantir a participação plena”, contou com a participação dos oradores António Barreto, António Lobo Xavier e José Joaquim Gomes Canotilho, que debateram a importância e validade do voto electrónico. Uma medida sobre a qual é urgente reflectir já que poderá ser meio para aumentar a adesão dos cidadãos e com isso reduzir a abstenção. A revolução tecnológica tanto pode desenvolver e promover a cultura, o conhecimento, a liberdade e a democracia como promover a desigualdade, o isolamento e o fim do património cultural, sendo por isso necessário, na opinião de António Barreto, regular esta matéria.
Para António Lobo Xavier a revolução tecnológica possibilita que um país ultrapasse etapas de desenvolvimento, ao mesmo tempo que aproxima a política dos cidadãos, no entanto, o mundo da sociedade de informação é muito exigente em relação aos actores de topo e tende a desvalorizar as profissões que não estão relacionadas com a tecnologia, criando exclusão. “Hoje o mundo da política deixou de ser secreto e elitista. Os políticos estão diariamente expostos ao escrutínio dos cidadãos, que estão mais atentos e exigentes. Com isto a função dos políticos perdeu parte do seu sentido. A revolução tecnológica desvalorizou os critérios clássicos de representação, o que acaba por ser uma ameaça à democracia, na medida que acarreta consigo a descrença”, explica.
Recorde-se a este nível que a Portugal Telecom participou, através da PT Inovação num projecto-piloto de votação electrónica, realizado a 13 de Junho de 2004, aquando das eleições para o Parlamento Europeu.

As redes da próxima geração
“As Redes da Próxima Geração: Plataformas e Serviços” constituíram o segundo painel de debate no primeiro dia do Congresso das Comunicações. Participaram neste painel Gunther Ottendorfer, da T-Mobile, Alan Taylor da Juniper, Luís Martins da Cisco Systems, Hans-Erhard Reiter da Ericsson, Sérgio Catalão da Siemens Communications, Jordi Casamitjana da Nortel Networks e Rui Candeias Fernandes da Alcatel Portugal.
Este debate centrou-se na importância das novas redes de comunicação para a redução dos custos dos operadores e nas vantagens que trazem para o utilizador.
Ficou patente neste debate a necessidade de criar standards e plataformas comuns para que a experiência do consumidor final seja mais barata e enriquecida.
Para Gunther Ottendorfer, os serviços chave que irão gerar receitas significativas nas redes de nova geração serão, por um lado, o messaging person-to-person em diversos formatos (vídeo, imagem, email…), e o entretenimento que já hoje retém muito do interesse dos consumidores. Outra das vertentes, que continua a crescer, apesar de muito lentamente, é o tráfego de voz.
O mesmo responsável destaca ainda a experiência menos positiva com o UMTS, que será evitada no desenvolvimento das redes de nova geração. As expectativas criadas face ao UMTS há cerca de cinco anos, só agora começam a concretizar-se. “Havia obstáculos, os equipamentos não estavam disponíveis, os serviços eram complicados e as pessoas não queriam usá-los”, afirma. A juntar a isto havia ainda o problema da largura de banda. Outro dos drivers das redes de nova geração pode também ser a voz sobre IP. Apesar da falta de regulamentação a este nível, os operadores lutam pela criação de redes standard e pela disponibilidade de equipamentos de múltiplos fabricantes. Esta realidade dará origem a duas categorias de operadores com requisitos diferentes. Por um lado, os incumbentes que, assim, concretizam, a eficiência dos custos e, por outro, os novos operadores, detentores de redes mais modernas, que privilegiam os novos serviços.







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