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NOTÍCIAS 10-Nov-2004

Aplicações, conteúdos e novos estilos de vida

O foco dos operadores ainda está nas tecnologias. Contudo, o foco deveria estar nos clientes, que assumem o lugar central na definição dos serviços a disponibilizar. De acordo com Graça Bau, Administrador Executivo da PT Comunicações, a integração de serviços e ofertas será uma tendência que se intensificará nos próximos anos.

Aplicações, Conteúdos e Novos Estilos de Vida foram o assunto em discussão no segundo dia de Congresso das Comunicações. Francisco Carvajal e Roberto Citton, da Accenture foram os keynote speakers, que contaram com um grupo de comentadores composto por António Câmara da YDreams, António Carriço da Vodafone, Carlos Coelho da Brandia, João Paulo Girbal da Microsoft, José Graça Bau, da Portugal Telecom, Pedro Carlos da SonaeCom, Pedro Morais Leitão da Media Capital, e Vasco Matafome da Hewlett-Packard.
Francisco Carvajal traçou o panorama do mercado das comunicações móveis a nível europeu. Para o consultor, “ainda vivemos na época de Neandertal das comunicações. O mapa competitivo é imperfeito e o foco dos operadores ainda está na tecnologia, quando devia estar nos serviços”. Assim, os operadores de telecomunicações trabalharão cada vez mais com estratégias multiplataforma, dirigindo os seus esforços para vários canais de acesso ao cliente, que assume um lugar central na definição dos serviços a disponibilizar.
Assim, de acordo com Francisco Carvajal, o futuro das comunicações passa pelo apurar das capacidades dos operadores em criar serviços simples de utilizar que permitam a personalização, o que exige um maior conhecimento dos clientes. Isto passa por “saber ouvir o mercado e educar os consumidores nas novas tecnologias”. O marketing assume lugar de destaque na comunicação de novos serviços.
Mas, também os governos têm um papel fundamental uma vez que existe ainda muito trabalho a fazer. São necessários investimentos e estratégias bem definidas para garantir o acesso de todos os cidadãos às comunicações e aos novos serviços de banda larga.
De acordo com Francisco Carvajal existem três factores chave para o desenvolvimento e sucesso dos serviços:

- Oferta de soluções integradas (aliando as capacidades do PC às da televisão e das comunicações);
- Personalização dos serviços
- Simplicidade de acesso

Em relação ao futuro foram apresentados à audiência dois cenários:

- Um modelo walled garden (jardim murado), composto por diferentes players (operadores de telecomunicações, fornecedores de conteúdos e fornecedores de tecnologia), onde cada um defende os seus interesses e segue estratégias de abordagem ao mercado completamente distintas.

- Um IT Safari (selva tecnológica) onde imperará uma estratégia integrada seguida por todos os intervenientes no mercado. Esta última, defende, permitirá um desenvolvimento maior do mercado porque há um esforço comum de toda a indústria.




Investimento tarda a chegar
Roberto Citto abordou a questão dos problemas relacionados com o investimento que têm, a seu ver, tardado a chegar. “O mercado é grande e tem muitas oportunidades que ainda estão por explorar, mas, mais uma vez, o entrave é a falta de dinheiro para investir”, afirma.
Ultrapassado que esteja este problema, reiterou que a atenção dos operadores deverá concentrar-se na questão da facilidade de utilização dos serviços. O caminho para a situação actual passa pelo estabelecimento de parcerias entre os restantes players do mercado para garantir que não há monopólios.




A resposta está na integração

No comentário aos discursos, José Graça Bau, Administrador Executivo da PT Comunicações, afirmou existir ainda uma grande confusão entre tecnologia e sociedade. Segundo este responsável, actualmente estamos perante um estilo de vida on-line que implica a conjugação de comunicação, informação e entretenimento. “É, acima de tudo, uma necessidade social que pressupõe a utilização da tecnologia através da mobilidade, banda larga, acesso permanente à Internet, entre outros”.
No entanto colocam-se dois problemas: quem tem rendimentos não tem apetência para o consumo (acontece sobretudo nas gerações mais velhas), por outro lado, quem nasceu nesta geração não tem orçamento disponível para a aquisição dos terminais e para os acessos (sucede nas camadas mais jovens). É por isso fundamental influenciar a adopção, por intermédio da criação de condições de experimentação iguais para todos.
Para Graça Bau, a integração de serviços e ofertas será uma tendência que se intensificará nos próximos anos e, serão os grandes operadores com marcas fidelizadas no mercado quem terá capacidade para dar resposta a esta nova característica da procura.
De acordo com este responsável, a solução estará na quarta geração das comunicações com a integração de vários dispositivos, permitindo a criação de redes domésticas que garantem ao utilizador o acesso constante à banda larga e aos seus conteúdos. Este é mais um alicerce na construção da Casa PT. E, são os operadores fixos que, segundo Graça Bau, estão em larga vantagem neste domínio já que a banda larga móvel está ainda numa fase de arranque, com as redes de terceira geração, e a preços ainda pouco atractivos.





A importância dos conteúdos

António Câmara, CEO da YDreams, defende que os conteúdos terão que ser atractivos e responder claramente às necessidades dos consumidores. Isto não significa, porém, que os conteúdos sejam personalizados já que “nunca conseguiremos conhecer todos os clientes”.
Já para o director de conteúdos da Vodafone Portugal, António Carriço, nas comunicações móveis é o cliente quem decide, por isso, o sucesso desta indústria deve-se ao facto das comunicações serem individuais. A disponibilização de conteúdos de interesse, baratos e de fácil utilização, estão na base do sucesso da indústria de comunicações móveis. Este responsável sublinhou ainda a importância das parcerias na oferta de novos conteúdos, explicando que aquela operadora assenta o seu modelo de negócio unicamente nesta estratégia, não tendo qualquer pretensão de vir a deter activos nesta área. A Vodafone conta actualmente com cerca de 200 parceiros entre entidades nacionais e internacionais na área dos conteúdos.
Carlos Coelho, director geral da Brandia, afirmou que “os conteúdos somos nós próprios” e que a tecnologia não pode enfrentar a natureza humana. Por este motivo, a killer application, antes da voz são as pessoas. As características tecnológicas são apenas o meio para atingir a satisfação das necessidades dos utilizadores.
Para João Paulo Girbal, director-geral da Microsoft Portugal, apesar da existência natural de diversas tecnologias em simultâneo, a Internet continuará a ser o meio por excelência ao nível da localização dos conteúdos.
O mesmo responsável alerta para o facto da protecção dos conteúdos ser essencial para o desenvolvimento de novas funcionalidades. Sem uma defesa forte dos direitos de autor, o mercado não terá capacidade para se desenvolver convenientemente.
Vasco Matafome, director da área de imaging & printing da Hewlett-Packard, afirma que é a tecnologia que tem que facilitar a criação de um estilo de vida. Parte da população ainda está na era pré-digital. A evolução depende dos baixos salários e dos problemas educacionais.
Pedro Morais Leitão, director de conteúdos da Media Capital, defende que os players do mercado terão que adaptar a oferta à evolução das necessidades dos clientes. “A TV terá que ter maior variedade, nos telemóveis terão que aparecer portais alternativos, e à Internet caberá o papel de ajudar a melhorar a qualidade dos conteúdos em português.







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